O que realmente importa?

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O que realmente importa no ensino básico e secundário?

Há poucos anos ouvi alguém ligada à educação dizer que os professores deviam fazer o exercício de corrigir com as crianças os livros com a ortografia antiga, como exercício de adaptação à ortografia do (des)acordo ortográfico. Podia pegar nesta ponta do novelo e começar a desenrolar todas as ideias ridículas, obsoletas ou ilógicas que as ministras e os ministros da educação tiveram durante o período em que frequentei o ensino básico e secundário. Perturba-me seriamente pensar que esses doze anos foram degradados por anda e desanda, crescente burocracia e pela (legítima) indignação da comunidade escolar. Quando António Costa, em discurso público, disse que a escola pública precisa de paz, isso fez-me todo o sentido. De facto, na última década a escola pareceu mais um campo de batalha. “Paz” foi uma palavra que assentou mesmo bem. Tocou mesmo na ferida.

  • Um ministério da educação que, como resposta aos fracos resultados nacionais a Português e Matemática, decide simplesmente reforçar a carga horária dessas disciplinas. Ou seja, duas peças no puzzle não encaixam, mas em vez de rodarmos a peça e tentarmos perceber como é que ela pode encaixar… batemos com mais força!
  • Um ministério que não respeitou os professores e se preocupou mais em avaliá-los do que em ouvi-los e formá-los.
  • Um ministério da educação que investiu mais em coagir @s alun@s a estar dentro das salas de aula nos “feriados” do que em melhorar a forma como o ensino se processa dentro e fora das próprias aulas.

O que realmente importa…?

Em resumo, um ministério tirano e incapaz que não actua pela inteligência e boa gestão, mas sempre com base na coacção. De certeza que esta não é gente com tacto para falar sobre cultura!

Tomás Barão